Enquanto pousava os dedos nas teclas do piano, Gabriel se lembrou de que nunca havia tocado essa música sem a presença de Clara. Tchaikovsky que perdoasse, mas aquelas notas perfeitamente reunidas eram só dela.
Naquele dia não foi diferente. Uma brisa fria tocou o rosto de Gabriel quando ele entrou no palco. Sim, ele podia ver seu inesquecível amor. Clara dançava com a mesma perfeição de sempre. E ele tocava ainda melhor.
Só quem já ouviu a música com o coração alguma vez na vida pode fazer idéia da emoção que invadiu o Teatro José de Alencar naquela noite. Mas só quem se apaixonou pode entender o que aconteceu no coração de Clara quando entrou no palco dançando pas-de-deux e voltou a ver Gabriel, seu grande amor, seu doce e eterno amor.
Clarice beijou o pai e cochichou em seu ouvido.
-Eu estou vendo minha mãe dançando. O senhor também vê?
Gabriel concordou com a cabeça, sem tirar os olhos de sua bela Clara.
Apesar de saber que a unica pessoa que podia vê-la da platéia era Anabela, Clara se inclinou para agradecer os aplausos ao público.
Clara levou as duas mãos à boca, enviou pelo vento um beijo para cada um e partiu;
"Um breve instante de amor apaga uma eternidade de tristeza" Pensou Gabriel.
A Bailarina Fantasma. pág: 171

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