quinta-feira, 10 de março de 2011


Aquele era uma noite fria, o vento batia nas folhas, fazendo algumas delas caírem no chão úmido. Ele pensou em permanecer em casa, mas havia algo mais forte, uma vontade fora do comum, e essa vontade eram de vê-la, ouvir cada história que ela contava, e ler seus versos para ela.
Mas naquela noite tudo estava mais escuro, não havia luz, a não serem as dos lampiões. O poeta teve medo, mas sabia que a lua não o abandonaria, mais cedo ou mais tarde ela aparecia com todo aquele brilho, e faria o dia do poeta realmente começar.
Ele sentou-se no lugar habitual, seus olhos percorriam o horizonte. Algumas pessoas que passavam o olhavam torto, mas o poeta não importava-se, ele permaneceria lá o tempo que fosse preciso.
Ele esperou, mesmo sabendo que ela não viria mas aquela noite.
Teve medo de ir embora, e por isso ficou lá, viu o alvorecer, os cantos dos pássaros, e os pequenos raios de sol.
Ela não viria, aquilo era algo certo pro poeta. Ele tinha medo de não vê-la mais, e isso fez com que seu coração ficasse apertado dentro do peito.
O dia passou arrastando-se, ele não dormiu, nem tão pouco escreveu. Apenas pensou. Queria mais que tudo vê-la, sentir seu brilho tocar seu rosto, ouvir sua voz calma.
Mas ele teria que esperar, e isso estava o matando por dentro.
A noite veio, e ela não apareceu. O poeta tentava ignorar seus pensamentos, teve medo do que estava sentindo

" É tudo novo
E mais uma vez eu não tenho com quem compartilhar
Ela não vem
Falta-me um brilho no olhar"


Foram apenas poucos versos, ele queria continuar, deixar registrado todo seu sofrimento.
Mas ele não continuou.
Fechou seu pequeno caderno e chorou. Chorou de saudade, e pior ainda, chorou por que pela primeira vez sentia-se apaixonado.
Os dias passaram, novas noites vieram, e junto com a escuridão, estava ela, brilhante e envergonhada, encantadora aos olhos daquele homem tão apaixonado.
A noite parecia curta para os dois, e o poeta teve por diversas vezes vontade de revelar seu amor pela lua, mas por medo resolveu calar seu coração.
- Poeta, por que será que a noite torna-se tão curta quando estou contigo?-
Perguntou a lua ao ver o horizonte cobrir-se pelos pequenos raios de sol
- Faço-me esta pergunta sempre que a vejo partir, minha lua –
Disse o poeta com uma tristeza no tom de voz.
- Queria eu poder ficar aqui pela eternidade, apenas ouvindo teus poemas. Sem ter que me preocupar com o sol que insiste em aparecer –
Aos poucos diversas estrelas iam sumindo com a luminosidade do sol.
- Eu espero dia após dia pela noite, rogo para que o sol se vá e me traga você. E quando estás aqui, eu sinto que poderia criar raízes nesse lugar, sentado nesse banco-
O pobre poeta sentia que seu coração iria pular do peito, mas até isso havia tornado-se uma sensação boa.
- O que queres dizer com tudo isso?-
Perguntou a lua surpresa
-Quero dizer que desde o primeiro momento tu trouxeste luz para minha vida. Fez-me conhecer sentimentos antes escondidos, mostrou-me o que é o amor –
A lua queria declarar seu amor, dizer com as mais lindas palavras que o amava. Mas o sol já estava saindo e a lua teria que ir.
- Esperei pela escuridão, pois só assim terei brilho, o sol fará seu percurso e me trará até você –
Disse a lua antes de sumir pelo horizonte prateado.
O poeta não tinha forças para levantar, queria permanecer ali até mais uma vez a noite chegar. Mas o cansaço o fez desistir, e o sono que a tantos dias havia sumido, agora estava ali, o aquecendo.
Não sabe ao certo por quanto tempo ele dormiu, mas já era tarde quando acordou. O sol estava apino e o calor sufocante fez o poeta sair em busca de abrigo.
Caminhou sem vontade até sua humilde casa, onde se deitou em sua cama, que estava repleta por livros. Mas isso não o incomodou. Ele estava cansado demais, e suas pálpebras mesmo não querendo, fecharam-se.
Dormiu por longas horas, e pela primeira vez não sonhou.
O sol já estava se ponto quando o poeta enfim acordou. A janela simples que dava para rua estava aberta. Ele levantou-se, erguendo a cabeça para o céu, nascendo em sua face um sorriso encantador.
“A escuridão é como o brilho do sol para os meus olhos. Meu dia enfim está começando.”
Pensou o poeta.
Ele queria sair dali, odiava sentir-se preso, e pior que tudo, odiava fazê-la esperar
O sol estava se pondo no horizonte quando o poeta sentou-se no lugar de costume: O pequeno e solitário banco da praça.
E foi então que a primeira estrela apareceu no céu, dando um pouco de brilho aquele começo de noite tão escura.

{...}

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